30 maio 2011

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill, No Reino da Dinamarca

28 maio 2011

 A designer Hella Jongerius (1963) reconhecida internacionalmente como uma dos designers mais importantes de sua geração, destaca-se pela forma especial que funde a indústria e artesanato, a tradição e o contemporâneo. A artista acredita que a qualidade do artesanato não é legível em produtos perfeitos, mas apenas no 'desajustados', que traem o processo e da mão do criador. Os seus projectos são  manifestação do valor acrescido resultante da ligação das ditas alta e baixa tecnologias (arte e artesanato)
Em 1993 iniciou sua própria empresa de design, Jongeriuslab, através da qual produz seus próprios projectos  e
a concepção de produtos para clientes internacionais como Maharam (New York), Royal Tichelaar Makkum (Holanda), Vitra (Basel) e IKEA (Suécia).
O seu trabalho tem sido mostrado em museus e galerias, como o Cooper Hewitt National Design Museum (Nova York), MoMA (Nova York), o Design Museum (Londres), KREO Galerie (Paris) e galeria de Moss (Nova York).




 






16 maio 2011

Encostas a face...

Encostas a face à melancolia e nem sequer
ouves o rouxinol. Ou é a cotovia?
Suportas mal o ar, dividido
entre a fidelidade que deves
à terra de tua mãe e ao quase branco
azul onde a ave se perde.
A música, chamemos-lhe assim,
foi sempre a tua ferida, mas também
foi sobre as dunas a exaltação.
Não ouças o rouxinol. Ou a cotovia.
É dentro de ti
que toda a música é ave.

Eugénio de Andrade

03 maio 2011

Japão - Rendas em Casca de Ovo

Um artesão japonês encontrado por acaso em navegação na net faz estas preciosas obras de grande minúcia e beleza. Lamentavelmente em pesquisas posteriores não consegui reencontrar o sítio onde descarreguei estas imagens, que considero lindíssimas e que mesmo assim quis partilhar.





28 abril 2011

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.


Pablo Neruda (Últimos Poemas)

26 abril 2011

Pintura/Colagem de Mark Khaisman

Mark Khaisman (1958, Kiev, Ucrânia) vive e trabalha em Filadélfia. Estes trabalhos surpreendentes são feitos com fita adesiva castanha translúcida sobre painéis de acrílico que, uma vez iluminados revelam o desenho elaborado com as sobreposições de  fita , aplicada de maneira a criar os vários valores de luz. 


25 abril 2011

Abril de Sim Abril de Não

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre em "30 Anos de Poesia" - Publicações Dom Quixote

21 abril 2011

Tara Donovan, espaço forma e luz

Tara Donovan , uma artista americana contemporânea, utiliza elementos prosaicos, incluindo cabos eléctricos,  alfinetes,  pratos de papel e palitos de dente, dispostos de modo  que por vezes imita a organização das formas geológicas e biológicas. As instalações escultóricas da artista são baseadas nas propriedades físicas e capacidades da acumulação de um único material. È muito interessante a forma como ela apresenta uma massa inalterada de objectos simples, que não disfarçam o que são, ao mesmo tempo que sugere um poderoso fenómeno perceptivo, com efeitos atmosféricos subtis e de forte impacto para o olhar.

 

18 abril 2011

Rumor

Acorda-me
um rumor de ave.
Talvez seja a tarde
a querer voar.
A levantar do chão
qualquer coisa que vive,
e é como um perdão
que não tive.
Talvez nada.
Ou só um olhar
que na tarde fechada
é ave.
Mas não pode voar.

Eugénio de Andrade

16 abril 2011

As porcelanas de Cheryl Ann Thomas

Cheryl Ann Thomas (USA) é uma ceramista que modela  formas frágeis de uma grande beleza e elegância poética,onde projecta um diálogo interior próprio. As cores “limpas” e intencionais reforçam uma dinâmica algo incerta  como se fossem “frames” de os movimentos profundos e  intensos , sem desfecho definido. 
  Nestas peças “Reliquias” reflecte sobre o envelhecimento; as desilusões, as esperanças e as dificuldades em lidar com o sofrimento, todos os altos e baixos que moldam nossas vidas preciosas. Ann disse: "Meu trabalho é um inquérito íntimo e experiencial em situações de fragilidade e perda."

                   



Vik Muniz, arte feita em açúcar, chocolate, lixo e tudo o mais

Vik Muniz ,artista plástico brasileiro, radicado em Nova York, reproduziu obras de artistas consagrados utilizando materiais inusitados como: chocolate, açúcar, geleia, manteiga de amendoim... 
 Aqui ele descreve o pensamento por trás do seu trabalho e nos leva numa viagem pelas suas incríveis imagens.




           


05 abril 2011

Os desenhos em metal de Frank Plant

Frank Plant é um escultor  americano que vive em Barcelona. Usando aço soldado e compondo com objectos/desenhos onde a bidimensão  e a trimensionalidade se confudem numa subtileza ambivalente que interroga o nosso olhar.
 A temática das suas instalações é provocativa e engajada, marcando uma posição. Dizem algo de quem a fez, da época em que foram feitas e de quem possui a peça, numa espécie de cartão de visitas artístico que faz uma declaração sócio-política .